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Educação Financeira de Pais para Filhos

Em meus atendimentos à famílias nesses últimos 5 anos, é comum ouvir dos provedores que o maior legado que eles querem deixar para seus dependentes é a educação. Arrisco-me a dizer que existe um segundo legado que eles deixarão indiretamente para seus herdeiros: a forma como eles lidarão com dinheiro.

Ensinar com palavras e brincadeiras funciona muito bem com as crianças, mas são os exemplos que ficarão marcados. Tanto o exemplo a ser seguido como o exemplo a ser evitado.

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Se os pais são pessoas que tem um bom controle das finanças, isso pode gerar alguns caminhos diferentes para os filhos, os mais comuns são:

  • Seguir o exemplo e ter um bom controle das finanças, pois esse é o caminho que aprenderam ser bom para eles;
  • Frustração e não ter controle nenhum de suas finanças, pois talvez com o controle das finanças dos pais vieram também algumas privações. Ex: Não comprar o brinquedo da moda igual aos dos amigos, pois não cabia no orçamento.

Você pode estar pensando: “não comprar um brinquedo não é um exemplo de privação, que criança mimada”, mas te convido a pensar quantas pessoas você conhece que em algum momento compraram determinada roupa, perfume, relógio, carro etc simplesmente para ser aceito em um grupo de amigos ou do trabalho. Com as crianças não é diferente.

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O mesmo pode ser dito para o caso dos pais que tinham dívidas, isso pode gerar alguns caminhos diferentes para os filhos, os mais comuns são:

  • Seguir o exemplo e também se endividarem para formar patrimônio ou para comprar coisas, pois esse é o caminho que aprenderam com os pais e que se sentem confortáveis;
  • Seguir o caminho totalmente oposto e ter “medo” de se endividar, pois, podem ter visto que com as dívidas os pais se privaram de alguns momentos de tranquilidade para discutir as contas, noites mal dormidas pensando em como pagar o boleto do dia seguinte etc.

Agora pense na forma como seus pais (ou quem te criou e educou) lidam ou lidavam com dinheiro. Você está seguindo o mesmo exemplo ou indo para um caminho diferente? O caminho que você está pegando é o que você quer que seu filho siga?

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A reflexão sobre nossas origens é um importante passo para entendermos qual caminho financeiro escolhemos seguir (consciente ou inconscientemente) e tendo consciência disto, qual caminho escolheremos daqui para frente.

Pensem nisso!

Abraços,

Lucas Madaleno

Regimes de Bens de Casamento

Vai casar e não sabe qual regime de casamento escolher? Abaixo listo e explico os três regimes mais comuns no Brasil.

Usarei o termo cônjuge para me referir a quem vai casar, pois temos a possibilidade de casamentos ou uniões homoafetivas e as definições de marido e mulher não englobariam este casamento.

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Comunhão Parcial de bens: neste regime os cônjuges mantém em seu nome o que já tinham antes do casamento (investimentos, imóveis etc), “o que é meu continua sendo meu e o que é seu continua sendo seu”.

Os bens que forem construídos e adquiridos durante o casamento serão dos dois em partes iguais (50%/50%), mesmo que comprados em nome de apenas um.

O que for recebido por doação ou herança durante o casamento pertence a quem o recebeu, ou seja, “a herança é minha e não nossa”.

Comunhão Universal de bens: neste regime vamos supor que ambos os cônjuges já possuam bens anteriores ao casamento (investimentos, imóveis etc) e esses bens passam a pertencer a ambos, ou seja, “o que era meu agora é nosso e o que era seu agora é nosso”.

Diferentemente da comunhão parcial, neste regime de casamento as heranças e doações que os cônjuges recebem durante o casamento se tornarão bem comum aos dois.

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Separação Total de bens: neste regime os cônjuges mantém em seu nome o que já tinham antes do casamento (investimentos, imóveis etc), “o que é meu continua sendo meu e o que é seu continua sendo seu”.

Neste regime de casamento as heranças e doações também pertencem apenas a quem as recebeu.

Diferentemente da Comunhão Parcial de Bens, na Separação Total o que for construído durante o casamento pertencerá a quem construiu ou adquiriu o bem e tenha deixado este bem em seu nome e não no do seu cônjuge.

Obs: em casamentos em que um dos dois tenha menos que 18 anos ou mais que 60 o regime de casamento é obrigatoriamente o da Separação Total.

Boa sorte em suas escolhas!

Abraços!

Lucas Madaleno

Dívidas são Herdadas?

Quem nunca ouviu a frase: “só vou deixar dívidas para os meus filhos”? Será que dívidas são herdadas? Essa é uma dúvida bastante comum e que costuma gerar certa confusão. Neste texto irei responder a esta pergunta. Dívidas são herdadas?

Quando uma pessoa falece é feito o inventário (levantamento) de seus bens e das dívidas. Qualquer dívida que exista só pode ser coberta pelo patrimônio deixado, ou seja, se a pessoa tem uma dívida de R$5.000,00 e uma poupança de R$6.000,00 a dívida será paga com o dinheiro do investimento deixado e o que sobrar será dividido entre os herdeiros legais.

Usando o mesmo exemplo acima, caso o patrimônio deixado seja menor que a dívida, o que não for pago não pode ser cobrado dos herdeiros. Dívida de R$5.000,00 e poupança de R$3.000,00, são usados os R$3.000,00 para pagar parte da dívida e os R$2.000,00 que faltaram ser pagos não podem ser cobrados, a dívida deixa de existir, pois entende-se que a responsabilidade pela dívida é de quem faleceu, e a mesma não pode ser estendida aos herdeiros.

E no caso de dívidas que envolvam a compra de bens como automóveis e imóveis, o bem pode ser tomado no caso do não pagamento da dívida? Sim, pois esses são financiamentos onde os bens estão em nome do banco até que ocorra o pagamento total da dívida por parte do cliente.

Nesse caso os herdeiros teriam que continuar a pagar o financiamento até o final para ter direito a 100% do valor do bem financiado, mas em muitos casos, quando há a contratação deste tipo de financiamento há também a inclusão de um seguro chamado prestamista que cobre o falecimento ou invalidez permanente de quem adquiriu o bem e garante o pagamento das parcelas ou prestações que ficaram faltando ser pagas.

Espero ter ajudado a esclarecer a confusão sobre herdar ou não dívidas e a tirar um peso de quem imaginava que teria que arcar com dívidas de parentes após seu falecimento usando patrimônio próprio.

Abraços!

Lucas Madaleno