Seguros contra Invalidez – Para que servem e como calcular a cobertura ideal?

Não me preocupo com seguro de vida, pois sou solteiro, não tenho filhos e ninguém depende financeiramente de mim, essa história de seguros não é para mim, certo? Depende.

O grande risco para quem se encontra nesta situação não é a vida, pois a perda aos familiares e amigos seria emocional e não financeira.

Então qual o grande risco de uma pessoa nesta situação? Sofrer um acidente ou acontecer uma situação que a deixe com sequelas, inválida, impossibilitada de trabalhar e ter uma renda.

Pelo primeiro parágrafo a impressão que podemos ter é que como ninguém depende dela, não haverá consequências financeiras a ninguém, certo? Mas as contas para essa pessoa manter sua condição atual continuarão a vir: água, luz, alimentação etc, se essa pessoa não conseguir ter uma fonte de renda, de onde virá o dinheiro para que essas contas continuem sendo pagas?

Aí que entra o seguro de Invalidez Permanente ou Parcial por Acidente (IPA). Este é um seguro que cobre acidentes que tenham como consequência as situações citadas acima, desde que estejam dentro do contrato de seguro. Neste tipo de seguro o beneficiário é o próprio segurado, diferente dos seguros de vida onde os beneficiários são outras pessoas.

Entendi este seguro, mas e agora, como calcular a cobertura ideal?

Não temos como prever se os gastos de uma pessoa após um acidente que deixe sequelas importantes vai aumentar ou diminuir, vamos considerar que os gastos permaneçam iguais, a cobertura do seguro deve ser suficiente para que a pessoa tenha os gastos cobertos “para sempre”, ou seja, através de uma renda perpétua.

Para isso divida o valor dos gastos atuais pelo rendimento dos investimentos que possui (eu costumo usar 0,25% mensais já descontados o Imposto de Renda e a inflação) e retire o valor de patrimônio que já possui. Dividi por 0,25% porque teoricamente essa é a rentabilidade líquida mensal dos investimentos da pessoa.

Exemplo: Uma pessoa tem gastos mensais de R$4.000,00 e um patrimônio financeiro de R$35.000,00. A cobertura do IPA deveria ser de R$1.565.000,00 (R$1.600.000,00 – R$35.000,00) para que ela tenha uma certa segurança que os gastos dela não pesariam para outra pessoa e que ela continuaria seguindo sua vida.

Atenção!! Ao contratar um IPA tomem cuidado com a “tabela do açougueiro”, uma tabela de muito mau gosto, onde o valor que será pago ao segurado dependerá de onde foi a lesão. Ex: se perdeu uma mão é um valor, se foi um braço é outro e por aí vai. Se possível busque seguros que não tenham distinção por tipo de lesão.

Abraços!

Lucas Madaleno

Patrimônio Esperado

Você já sentiu falta de uma referência para saber como está caminhando com suas finanças? Por exemplo, será que tenho um patrimônio maior ou menor que pessoas da minha idade? Guardo pouco dinheiro e deveria guardar mais ou estou no caminho certo?

Nas finanças temos alguns indicadores que mostram se estamos no caminho para chegar a uma vida mais tranquila ou com menos preocupações (financeiramente falando). Hoje irei escrever sobre o indicador de Patrimônio Esperado (PE).

O PE mostra, como o nome diz, se a pessoa tem atualmente o patrimônio que se espera considerando a renda anual e a idade dela. A fórmula é a seguinte:

PE = RA x i x 10%

PE é o patrimônio esperado, RA é a renda anual da pessoa e i é a idade atual. Com a fórmula acima queremos analisar se a pessoa conseguiu juntar ao longo da vida 10% (10% é um número considerado o mínimo para que a pessoa consiga formar seu patrimônio) de sua renda anualmente. Reparem que não analisamos a renda mensal, mas a anual, incluindo algumas bonificações, 13º salário, férias etc.

Exemplo: Miguel tem 30 anos e recebe mensalmente 3.000,00, ele é contratado em regime CLT (carteira assinada) e possui um bônus de aproximadamente 1.000 todos os anos. O PE do Miguel é de 40.900 (3.000 vezes 13 salário mais um terço de férias mais 1.000 de bônus) x 30 x 10% = 122.700.

Este número é a referência que Miguel pode seguir para verificar se está no caminho para formar seu patrimônio.

Caso a remuneração tenha sido recentemente conquistada (promoção, bônus acima do esperado etc) o PE estará maior.

Vamos supor que o Miguel tenha o seu patrimônio atual menor que o PE, como fazer para recuperar a diferença? Poupando mais que 10% da renda anual, pois assim ele estará diminuindo a diferença e chegando cada vez mais perto do PE e quem sabe até ultrapassando-o.

Este texto exemplifica uma análise que pode ser feita com base em números “frios”, planejamento financeiro é muito mais que só números, envolve a história da pessoa, seus desejos e sonhos, as pessoas com quem se relaciona entre outros fatores.

Abraços!

Lucas Madaleno

LCI – Letra de Crédito Imobiliário

LCI (Letra de Crédito Imobiliário) é um título de crédito lastreado ou garantido por créditos imobiliários ou alienação fiduciária de coisa imóvel. Os recursos captados desta forma são direcionados para financiamentos habitacionais.

Traduzindo o parágrafo anterior, algumas instituições financeiras tem autorização para emitir LCIs usando parte de suas carteiras de créditos imobiliários como garantia para essas emissões e posteriormente oferecer esses investimentos aos seus clientes. Quando um cliente investe em uma LCI ele está emprestando recursos à instituição e esta deverá devolver esses recursos em data acordada no momento do investimento mais uma taxa de juros.

As LCIs são remuneradas por uma porcentagem do CDI acordada no momento do investimento. As LCIs são isentas de tributação (não pagam imposto de renda, IOF etc), ou seja, a remuneração obtida neste investimento é líquida.

As LCIs tem vencimento definido no momento do investimento e o investidor tem poucas chances de poder resgatá-las antes desta data. O mais comum é que a LCI só tenha liquidez (vire dinheiro) no vencimento.

Existe o risco da instituição onde o cliente fez a LCI quebrar, mas esse risco pode ser minimizado caso o valor seja abaixo de R$250.000,00 por CPF e por conglomerado financeiro, pois até este valor o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) garante o pagamento do investimento ao cliente.

Este texto não representa de forma alguma uma recomendação do autor para que os leitores invistam em LCIs, este é apenas um texto informativo.

Abraços!

Lucas Madaleno

Custo x Garantias

Quando uma instituição financeira disponibiliza uma linha de crédito (empréstimo) ela corre o risco de não receber de volta o valor emprestado, mas quando ela disponibiliza linhas de crédito para a compra direta de bens esse risco é muito menor e vou explicar o motivo nos parágrafos abaixo. Financiamentos imobiliários e financiamentos de automóveis são os exemplos mais comuns deste tipo de linha.

O que acontece quando um cliente pega um financiamento imobiliário e não consegue honrar com o pagamento de algumas parcelas? O imóvel adquirido com o financiamento é tomado pelo banco para ir a leilão e depois com o valor obtido quitar a dívida. O mesmo ocorre com os automóveis.

O bem só é efetivamente do cliente após o pagamento da última parcela do financiamento, antes disso ele é do banco e este pode tomar o bem em caso de não pagamento da dívida conforme exemplificado no parágrafo acima. Por haver a garantia do bem em caso de não pagamento (menor risco), as taxas de juros costumam ser menores que em outras linhas de crédito (rotativo do cartão de crédito, cheque especial, empréstimos pessoais etc) onde o pagamento da dívida depende da boa fé de quem tomou o empréstimo.

Uma outra modalidade de empréstimo que também se utiliza de uma garantia real são os penhores de joias. Pelo fato do cliente deixar a joia no banco e só poder tirá-la quando pagar o empréstimo (prazo médio de 180 dias), os juros também são mais baixos que em outras linhas de crédito.

Este texto vem complementar o anterior sobre como a burocracia antes da contratação de empréstimos influencia diretamente a taxa de juros dos mesmos.

Em ambos os textos são citadas formas de empréstimos que possuem taxas de juros menores se compararmos a empréstimos mais “fáceis” e acessíveis, mas não representam uma sugestão, são apenas textos informativos.

Abraços!

Lucas Madaleno

Inadimplência e Suas Consequências

Alguns empréstimos possuem garantias de um bem (financiamento de imóveis e automóveis são os principais exemplos) e não é possível deixar de pagá-los sem correr o alto risco de ter o bem tomado pela instituição que concedeu o empréstimo, mas e quando o crédito em si não está vinculado a nenhuma garantia, quais as consequências da inadimplência?

A instituição que concedeu o crédito a você, o fez de boa fé, ou seja, acreditando que você pagará os juros cobrados por ela (independente de serem altos). Em algum momento você precisou do crédito e a instituição estava lá para te “ajudar”, agora precisamos pagar. O banco não é o vilão da história, aliás, não existe vilão nesta história.

A primeira consequência é a financeira, pois quando deixamos de pagar alguma dívida é cobrada uma multa sobre o saldo que deixou de ser pago e os juros da dívida continuam correndo. Dependendo dos juros a dívida pode duplicar em pouco tempo. Ex: dívida que cobra taxa de juros de 5% ao mês dobra em pouco mais de 14 meses.

A segunda consequência é a inclusão do nome do devedor em atraso em cadastros de proteção ao crédito como o SPC e o Serasa, deixando o nome da pessoa “sujo”.

A terceira consequência é a restrição do crédito, pois a cada compra onde o devedor precisa ter seu nome consultado, a pendência será apontada e dificilmente esse voto de confiança é dado novamente em outras instituições e se ocorrer haverá cobrança mais alta de juros para “cobrir o risco” do não pagamento do empréstimo.

Se não houve o pagamento do primeiro empréstimo, como haverá o pagamento deste segundo? Percebe como essa situação pode levar a uma “bola de neve” de acumulação de dívidas?

Antes de assumir uma dívida, pense se há uma forma de não usar o crédito e se mesmo assim o crédito for a melhor ou única solução, cuide para que as parcelas caibam em seu orçamento e não gerem novas dívidas.

Abraços!

Lucas Madaleno

Empréstimo Consignado

Você sabe o que é, como funciona e quais as taxas médias cobradas para se obter um empréstimo consignado?

Empréstimo consignado é uma modalidade de crédito obtido com instituições financeiras que podem descontar a prestação do empréstimo diretamente em folha de pagamento ou benefício previdenciário após autorização expressa do cliente à esta instituição.

Dois fatos diminuem bastante o risco do não pagamento do empréstimo por parte do cliente (inadimplência): o desconto ser diretamente na folha de pagamento dá uma certa garantia à instituição que concede o empréstimo e há uma análise de crédito anterior à liberação do dinheiro (burocracia), por isso as taxas cobradas podem ser menores que em outros casos onde não existem essa garantia ou análise prévia, como por exemplo o cheque especial, empréstimo pessoal etc.

Na data de hoje, segundo site do Banco Central, as taxas entre os grandes bancos de varejo para o consignado variam entre 1,95 a 2,87% ao mês, sendo que em algumas instituições menos conhecidas a taxa pode ser ligeiramente menor que 2% podendo chegar a 6,33%. Confira a tabela no link a seguir: http://www.bcb.gov.br/pt-br/sfn/infopban/txcred/txjuros/Paginas/RelTxJuros.aspx?tipoPessoa=1&modalidade=219&encargo=101

Antes de buscar alternativas de crédito e empréstimos deve-se fazer uma análise prévia e entender o motivo da necessidade deste dinheiro, estou entrando nesta dívida por quê?

Este texto não representa de forma alguma uma recomendação do autor para que os leitores façam empréstimos consignados, este é apenas um texto informativo.

Abraços!

Lucas Madaleno

Custo x Burocracia

Se em algum momento você parou para ver quais são as taxas de juros das linhas de crédito existentes (cheque especial, empréstimo consignado, financiamento imobiliário etc) com certeza se deparou com taxas bem diferentes. Você sabe por que elas variam tanto? Neste texto falaremos sobre como a burocracia antes da contratação das linhas de crédito influenciam diretamente na taxa.

Quando uma instituição financeira disponibiliza uma linha de crédito (empréstimo) ela corre risco de não receber de volta o valor emprestado, pois alguns contratos que a instituição firma com seus clientes não possuem garantias (contrato de boa fé).

Do ponto de vista da instituição quanto maior o risco que ela corre maior a taxa de juros que deverá ser cobrada. Para tentar diminuir esse risco, em algumas linhas, há um levantamento prévio de algumas informações sobre o cliente, sua possibilidade de pagamentos, bens, fiadores etc (burocracia). Via de regra quanto maior for a burocracia exigida antes do empréstimo, menor será a taxa.

Algumas linhas que exigem essa burocracia e seguem esta lógica: Empréstimo Pessoal contratado com seu gerente, Empréstimo Consignado, Financiamento Imobiliário, Financiamento de Automóveis, FIES etc.

Algumas linhas de crédito não exigem nenhuma burocracia na hora de sua utilização e, portanto, representam um risco alto de não recebimento por parte da instituição financeira. A consequência disso é que elas possuem taxas de juros mais altas quando comparamos com as citadas no parágrafo anterior: Rotativo do Cartão de Crédito, Cheque Especial e Empréstimo contratado diretamente no caixa eletrônico ou no internet banking.

Outro fator que influencia diretamente nas taxas dos empréstimos é a garantia de um bem vinculado ao pagamento, mas falaremos disso em outro texto.

Abraços!

Lucas Madaleno

Início de tudo

Boa tarde leitores,

Hoje começo a postar assuntos sobre finanças pessoais e assuntos relacionados e elas.

Mas, por que finanças pessoais?

Desde 2006 quando comecei a estagiar e ganhar um salário que nem chegava ao mínimo da época, tive interesse em controlar minhas finanças. Fazia isso em um papel, anotando o que gastava e onde gastava, com um controle bem simples para não ultrapassar meu salário, o que não era tão difícil pois moro com meus pais, portanto não tenho gastos com moradia.

Mas não comecei logo de cara a fazer esse controle:

Em um determinado mês, eu reparei que tinha gasto mais do que ganhei, mas como tinha uma sobra de outros meses não fiquei no vermelho, porém se continuasse nesse ritmo logo precisaria pedir R$ aos meus pais (e eu havia colocado na cabeça desde o meu primeiro salário, que não pediria mais dinheiro a eles, eu me viraria com o que tivesse e tiraria essa despesa das costas deles) e eu não queria isso, então veio a pergunta: O que fazer? Como não gastar mais do que ganho?
E veio a solução: Fazer um controle quinzenal do meu salário.

Como assim?

Eu dividiria meu salário em duas partes e definiria um valor para gastar e um para sobrar toda quinzena, mas vou dar um exemplo prático para demonstrar:

Vamos supor que eu ganhasse R$400,00

1ª Quinzena tenho R$150,00 para gastos e R$50,00 para guardar
2ª Quinzena tenho os mesmos R$150,00 para gastos e R$50,00 para guardar.

Assim, se eu ultrapassasse o valor para gastos na 1ª quinzena teria a 2ª para compensar e sair do mês no azul e com alguma reserva.


Nos próximos posts irei abordar assuntos sobre finanças pessoais, orçamentos, como organizar suas finanças etc e falar um pouco sobre a minha nova profissão (eu nem disse que sou contador ?) que é a profissão de Planejador Financeiro Pessoal.


Abraço a todos