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Nos Endividamos pelo Salário Bruto, mas Pagamos com o Salário Líquido

Você já deve ter ouvido em alguma instituição financeira que o máximo permitido para que uma pessoa se endivide com, por exemplo, um financiamento imobiliário é de 30% de seu salário. O que normalmente não é explicado é que essa porcentagem acaba sendo, na prática, maior que 30. Por que isso acontece?

O salário que é considerado em análises de crédito é o bruto e o pagamento das parcelas acaba ocorrendo pelo salário líquido.

Salário bruto é aquele registrado em carteira de trabalho, é o seu salário integral, ainda sem nenhum tipo de desconto. Exemplo: recebi uma proposta para receber R$4.000,00 registrados em carteira de trabalho, esses R$4.000,00 são seu salário bruto.

Salário líquido é aquele valor no qual já foram descontados os impostos e contribuições devidos, como por exemplo, o INSS, o Imposto de Renda, a contribuição sindical ou assistencial entre outros. Exemplo: para o mesmo salário de R$4.000,00, segundo o site Calculador, o valor a ser recebido já descontados os impostos seria de R$3.380,80.

cálculo salário

Clique na imagem para amplia-la. Fonte: Calculador

Quando uma pessoa vai a uma instituição buscando um financiamento o cálculo feito é que a parcela máxima que a pessoa pode pagar é de 30% de R$4.000,00, ou seja, R$1.200,00, mas como o valor que efetivamente a pessoa recebe é de R$3.380,80 esses R$1.200,00 representam aproximadamente 35,5% do salário líquido.  35,5% = (1200 / 3380,80) x 100.

O endividamento é de aparentemente 30%, mas acaba sendo efetivamente de 35,5%.

Se fossemos considerar apenas o salário líquido a parcela máxima a ser assumida, neste caso, poderia ser de R$1.014,24. R$1.014,24 = 30% x 3.380,80.

Assumir uma dívida extensa como um financiamento imobiliário, que pode chegar a 35 anos, sem ter esses números claros pode ser realmente perigoso. Eu acredito estar pagando um tanto do meu salário quando na verdade estou comprometendo mais do que parece.

financiamento imobiliário

Essa diferenciação entre porcentagens de salário bruto e líquido não envolve só a parte de financiamentos. Você já ouviu algum consultor financeiro dizendo para as pessoas guardarem 10% de suas rendas? E aí, você deve guardar 10% do salário bruto ou líquido?

E no caso de contribuições que fazemos em prol de instituições de caridade, igrejas, templos etc. Devemos considerar o salário bruto ou o líquido para calcular essa contribuição?

Minha recomendação é que você utilize o valor que efetivamente entra em sua conta para não acreditar que esteja contribuindo ou pagando menos do que realmente está. Suas finanças agradecem.

Abraços!

Lucas Madaleno

Antecipação da Restituição de Imposto de Renda

Você já declarou o Imposto de Renda (IR) ou está preenchendo sua declaração e descobriu que tem direito a receber parte do IR que foi recolhido no ano anterior. Que ótima notícia!!

E se por algum motivo você não pode ou não quer esperar para receber sua restituição e deseja antecipar, é possível? Se sim, quais os custos, quais cuidados tomar e em que situação pode ser vantajosa a antecipação?

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Sim, é possível antecipar até 100% da restituição do IR usando uma linha de crédito (empréstimo) específica para isso. Na hora da contratação o cliente deve apresentar o recibo da declaração onde consta que ele terá um valor a ser recebido e de quanto será esse valor.

Esta linha permite que o cliente receba na data atual o valor que receberia somente quando houvesse a restituição. Por essa “antecipação” o cliente pagará juros, mas por haver uma garantia vinculada ao empréstimo (restituição do IR), o banco consegue oferecer taxas mais vantajosas em relação a outras linhas de crédito (leia mais sobre a relação Custo x Garantias neste texto).

Enxergo que há apenas uma situação em que pode ser vantajosa a antecipação, quando o cliente tenha outros empréstimos em que pague juros maiores. A antecipação servirá neste caso para substituir uma dívida mais cara por uma mais barata e com um prazo mais curto para terminar (quando há o recebimento da restituição o pagamento integral do empréstimo é efetuado) já que as restituições de IR, via de regra, ocorrem no mesmo ano em que ocorrem a declaração. Exemplo: se declarei em Abril/2014 meu IR, devo receber até Dezembro/2014 a restituição.

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Atenção!! Antes de ir ao seu banco buscar a antecipação de seu IR, certifique-se que está tudo correto com sua declaração, pois se ela cair na malha fina você terá que arcar com o pagamento do valor do empréstimo sem contar com a restituição e acabará contraindo uma dívida a mais.

Este texto não representa de forma alguma uma recomendação do autor para que os leitores antecipem sua restituição do IR, este é apenas um texto informativo.

Abraços!

Lucas Madaleno

IPTU e IPVA – Como se Planejar para os Pagamentos deles?

Você sabia que somente algumas pessoas são sorteadas para pagar o IPTU (imóveis) e o IPVA (veículos) anualmente? É isso mesmo, nem todos são obrigados a pagar esses impostos, você sabia disso? Se você recebe todos os anos essas cobranças deve estar se sentindo a pessoa mais azarada do mundo.

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Como você deve ter percebido as informações acima não são verdadeiras. Todos que possuem ou alugam um imóvel devem pagar o IPTU e todos que possuem um automóvel devem pagar o IPVA. Estes impostos são pagos anualmente e a cobrança normalmente vem no começo do ano.

Mas se esses impostos são obrigatórios e sabemos que todo ano teremos que pagá-los, porque sempre nos desorganizamos financeiramente quando eles chegam? Os valores do IPVA e IPTU normalmente variam muito pouco de um ano para outro, podemos ter uma ideia muito próxima do que teremos que pagar no ano seguinte com base no imposto do ano atual.

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Se conseguimos ter uma ideia do valor a ser pago, temos como nos preparar para não nos desorganizarmos todo começo de ano? Sim!!!! Com base no valor do imposto atual podemos dividi-lo por 12 e guardar essa parcela mensalmente por um ano, recebendo juros sobre o investimento e no ano seguinte teremos um valor muito próximo ao que iremos pagar (se mantivermos o mesmo bem ou se comprarmos um com valor muito próximo). O valor dos impostos podem ser um pouco maiores ou menores, mas com a estratégia acima podemos pagar o imposto à vista com desconto e o impacto financeiro será muito menor.

Exemplo: IPTU de R$1.200,00, dividindo este valor por 12 temos uma parcela mensal de R$100,00. Guardando este valor na caderneta de poupança (0,5% ao mês de juros) teremos aproximadamente R$1.233,55.

E aí, hoje é possível para você fazer essa poupança mensal? Ainda este mês postarei algumas informações para ajudá-lo a escolher a melhor forma de pagar o IPVA e o IPTU, à vista ou parcelado?

Abraços!

Lucas Madaleno