Dívidas são Herdadas?

Quem nunca ouviu a frase: “só vou deixar dívidas para os meus filhos”? Será que dívidas são herdadas? Essa é uma dúvida bastante comum e que costuma gerar certa confusão. Neste texto irei responder a esta pergunta. Dívidas são herdadas?

Quando uma pessoa falece é feito o inventário (levantamento) de seus bens e das dívidas. Qualquer dívida que exista só pode ser coberta pelo patrimônio deixado, ou seja, se a pessoa tem uma dívida de R$5.000,00 e uma poupança de R$6.000,00 a dívida será paga com o dinheiro do investimento deixado e o que sobrar será dividido entre os herdeiros legais.

Usando o mesmo exemplo acima, caso o patrimônio deixado seja menor que a dívida, o que não for pago não pode ser cobrado dos herdeiros. Dívida de R$5.000,00 e poupança de R$3.000,00, são usados os R$3.000,00 para pagar parte da dívida e os R$2.000,00 que faltaram ser pagos não podem ser cobrados, a dívida deixa de existir, pois entende-se que a responsabilidade pela dívida é de quem faleceu, e a mesma não pode ser estendida aos herdeiros.

E no caso de dívidas que envolvam a compra de bens como automóveis e imóveis, o bem pode ser tomado no caso do não pagamento da dívida? Sim, pois esses são financiamentos onde os bens estão em nome do banco até que ocorra o pagamento total da dívida por parte do cliente.

Nesse caso os herdeiros teriam que continuar a pagar o financiamento até o final para ter direito a 100% do valor do bem financiado, mas em muitos casos, quando há a contratação deste tipo de financiamento há também a inclusão de um seguro chamado prestamista que cobre o falecimento ou invalidez permanente de quem adquiriu o bem e garante o pagamento das parcelas ou prestações que ficaram faltando ser pagas.

Espero ter ajudado a esclarecer a confusão sobre herdar ou não dívidas e a tirar um peso de quem imaginava que teria que arcar com dívidas de parentes após seu falecimento usando patrimônio próprio.

Abraços!

Lucas Madaleno

Seguros contra Invalidez – Para que servem e como calcular a cobertura ideal?

Não me preocupo com seguro de vida, pois sou solteiro, não tenho filhos e ninguém depende financeiramente de mim, essa história de seguros não é para mim, certo? Depende.

O grande risco para quem se encontra nesta situação não é a vida, pois a perda aos familiares e amigos seria emocional e não financeira.

Então qual o grande risco de uma pessoa nesta situação? Sofrer um acidente ou acontecer uma situação que a deixe com sequelas, inválida, impossibilitada de trabalhar e ter uma renda.

Pelo primeiro parágrafo a impressão que podemos ter é que como ninguém depende dela, não haverá consequências financeiras a ninguém, certo? Mas as contas para essa pessoa manter sua condição atual continuarão a vir: água, luz, alimentação etc, se essa pessoa não conseguir ter uma fonte de renda, de onde virá o dinheiro para que essas contas continuem sendo pagas?

Aí que entra o seguro de Invalidez Permanente ou Parcial por Acidente (IPA). Este é um seguro que cobre acidentes que tenham como consequência as situações citadas acima, desde que estejam dentro do contrato de seguro. Neste tipo de seguro o beneficiário é o próprio segurado, diferente dos seguros de vida onde os beneficiários são outras pessoas.

Entendi este seguro, mas e agora, como calcular a cobertura ideal?

Não temos como prever se os gastos de uma pessoa após um acidente que deixe sequelas importantes vai aumentar ou diminuir, vamos considerar que os gastos permaneçam iguais, a cobertura do seguro deve ser suficiente para que a pessoa tenha os gastos cobertos “para sempre”, ou seja, através de uma renda perpétua.

Para isso divida o valor dos gastos atuais pelo rendimento dos investimentos que possui (eu costumo usar 0,25% mensais já descontados o Imposto de Renda e a inflação) e retire o valor de patrimônio que já possui. Dividi por 0,25% porque teoricamente essa é a rentabilidade líquida mensal dos investimentos da pessoa.

Exemplo: Uma pessoa tem gastos mensais de R$4.000,00 e um patrimônio financeiro de R$35.000,00. A cobertura do IPA deveria ser de R$1.565.000,00 (R$1.600.000,00 – R$35.000,00) para que ela tenha uma certa segurança que os gastos dela não pesariam para outra pessoa e que ela continuaria seguindo sua vida.

Atenção!! Ao contratar um IPA tomem cuidado com a “tabela do açougueiro”, uma tabela de muito mau gosto, onde o valor que será pago ao segurado dependerá de onde foi a lesão. Ex: se perdeu uma mão é um valor, se foi um braço é outro e por aí vai. Se possível busque seguros que não tenham distinção por tipo de lesão.

Abraços!

Lucas Madaleno

Patrimônio Esperado

Você já sentiu falta de uma referência para saber como está caminhando com suas finanças? Por exemplo, será que tenho um patrimônio maior ou menor que pessoas da minha idade? Guardo pouco dinheiro e deveria guardar mais ou estou no caminho certo?

Nas finanças temos alguns indicadores que mostram se estamos no caminho para chegar a uma vida mais tranquila ou com menos preocupações (financeiramente falando). Hoje irei escrever sobre o indicador de Patrimônio Esperado (PE).

O PE mostra, como o nome diz, se a pessoa tem atualmente o patrimônio que se espera considerando a renda anual e a idade dela. A fórmula é a seguinte:

PE = RA x i x 10%

PE é o patrimônio esperado, RA é a renda anual da pessoa e i é a idade atual. Com a fórmula acima queremos analisar se a pessoa conseguiu juntar ao longo da vida 10% (10% é um número considerado o mínimo para que a pessoa consiga formar seu patrimônio) de sua renda anualmente. Reparem que não analisamos a renda mensal, mas a anual, incluindo algumas bonificações, 13º salário, férias etc.

Exemplo: Miguel tem 30 anos e recebe mensalmente 3.000,00, ele é contratado em regime CLT (carteira assinada) e possui um bônus de aproximadamente 1.000 todos os anos. O PE do Miguel é de 40.900 (3.000 vezes 13 salário mais um terço de férias mais 1.000 de bônus) x 30 x 10% = 122.700.

Este número é a referência que Miguel pode seguir para verificar se está no caminho para formar seu patrimônio.

Caso a remuneração tenha sido recentemente conquistada (promoção, bônus acima do esperado etc) o PE estará maior.

Vamos supor que o Miguel tenha o seu patrimônio atual menor que o PE, como fazer para recuperar a diferença? Poupando mais que 10% da renda anual, pois assim ele estará diminuindo a diferença e chegando cada vez mais perto do PE e quem sabe até ultrapassando-o.

Este texto exemplifica uma análise que pode ser feita com base em números “frios”, planejamento financeiro é muito mais que só números, envolve a história da pessoa, seus desejos e sonhos, as pessoas com quem se relaciona entre outros fatores.

Abraços!

Lucas Madaleno

LCI – Letra de Crédito Imobiliário

LCI (Letra de Crédito Imobiliário) é um título de crédito lastreado ou garantido por créditos imobiliários ou alienação fiduciária de coisa imóvel. Os recursos captados desta forma são direcionados para financiamentos habitacionais.

Traduzindo o parágrafo anterior, algumas instituições financeiras tem autorização para emitir LCIs usando parte de suas carteiras de créditos imobiliários como garantia para essas emissões e posteriormente oferecer esses investimentos aos seus clientes. Quando um cliente investe em uma LCI ele está emprestando recursos à instituição e esta deverá devolver esses recursos em data acordada no momento do investimento mais uma taxa de juros.

As LCIs são remuneradas por uma porcentagem do CDI acordada no momento do investimento. As LCIs são isentas de tributação (não pagam imposto de renda, IOF etc), ou seja, a remuneração obtida neste investimento é líquida.

As LCIs tem vencimento definido no momento do investimento e o investidor tem poucas chances de poder resgatá-las antes desta data. O mais comum é que a LCI só tenha liquidez (vire dinheiro) no vencimento.

Existe o risco da instituição onde o cliente fez a LCI quebrar, mas esse risco pode ser minimizado caso o valor seja abaixo de R$250.000,00 por CPF e por conglomerado financeiro, pois até este valor o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) garante o pagamento do investimento ao cliente.

Este texto não representa de forma alguma uma recomendação do autor para que os leitores invistam em LCIs, este é apenas um texto informativo.

Abraços!

Lucas Madaleno