Afinal, você sabe o que é um planejador financeiro pessoal?

Já fez uma compra exagerada, teve despesas inesperadas ou recorreu a um empréstimo no banco? Tomou decisões em relação ao seu dinheiro e depois se arrependeu? Talvez um controle mais firme dos gastos teria livrado você do arrependimento ou evitado danos maiores. É nessas horas que a orientação de um especialista poderia ter feito a diferença no seu bolso. Mas que profissional seria esse?

Um planejador financeiro pessoal pode te ajudar a administrar melhor as contas e a dar um rumo para o seu dinheiro. Ele define um plano de ação de acordo com o seu perfil, identificando o que mais preocupa você, o que é primordial para a sua vida e como priorizar os seus gastos e futuros investimentos.

Esse especialista normalmente tem como clientes aquelas pessoas que não têm tempo para administrar as finanças, não gostam ou simplesmente não entendem do assunto. Há ainda quem saiba fazer tudo isso, mas prefira o auxílio profissional para onde direcionar melhor o dinheiro – seja em uma poupança, tesouro direto, fundo de investimento ou até em renda variável.

Mercado novo para o planejador financeiro pessoal

A atividade do planejador financeiro pessoal é relativamente nova no Brasil. Com o nosso histórico econômico de hiperinflação nos anos 90, era difícil fazer planos, especialmente no longo prazo. Por mais que hoje ainda seja preciso melhorar em muita coisa, a realidade da nossa economia é melhor, inclusive quando se fala em inflação. O cenário das últimas décadas favorece a atuação desses profissionais e as perspectivas para o futuro.

O hábito de controlar as finanças cresce ao longo dos anos entre os brasileiros. Durante períodos de instabilidade, o ajuste das despesas se faz ainda mais necessário e, como reflexo, hoje há opções cada vez mais diversificadas de ajuda. Tanto que deixa a dúvida entre os nomes comuns nesse meio e as atribuições de cada um, como o consultor financeiro, o educador financeiro, o consultor de investimentos e o próprio planejador financeiro pessoal.

Todos eles trabalham com um enfoque diferente. O consultor financeiro costuma atuar em empresas, enquanto que o educador divulga seu conhecimento por meio de artigos, cursos e palestras. Já o consultor de investimentos não cuida das suas despesas, apenas orienta a administrar as aplicações. O planejador trabalha com finanças pessoais individualmente. 

O que faz um planejador financeiro pessoal na prática?

Quando você não sabe para onde vai o seu dinheiro ou tem planos para o futuro, mas não sabe por onde começar, o planejador financeiro pode dar uma mãozinha. E você se engana se pensa que esse tipo de profissional é voltado para quem tem mais dinheiro. O planejador pode auxiliar nos seguintes aspectos:

  • fazer o orçamento doméstico e saber qual é a sua realidade financeira;
  • definir quais são os seus objetivos, os custos e o tempo para alcançá-los;
  • relacionar quais são as suas dívidas e, principalmente, qual é a ordem de prioridade para pagá-las;
  • fazer uma reserva destinada a emergências;
  • elaborar um plano acessível para poder preparar sua aposentadoria, comprar um carro ou uma casa ou qualquer outro objetivo;
  • acompanhar seu desempenho e reformular as estratégias, sempre que preciso.

De maneira geral, o planejador ajuda você a enxergar como o seu dinheiro é gasto e onde é possível fazer ajustes. Ele analisa o seu perfil, suas necessidades e intenções futuras; a partir disso, define um plano mais realista, que seja possível cumprir todo mês e dar resultados no curto, médio e longo prazo.

Algumas pessoas têm dificuldades para contratar um planejador, já que ele saberá de toda a sua vida financeira: sua fonte de renda e seus gastos. Para ter uma relação mais personalizada e assertiva, o ideal é que você converse com o profissional antes. Pergunte pela sua formação e capacitação. Verifique também se ele costuma atender a um perfil de cliente semelhante ao seu e de que forma o serviço pode ser cobrado.

Você sabe como controlar os seus gastos? Precisa da ajuda de um planejador financeiro pessoal? Agende uma conversa e descubra como podemos auxiliar!

Como a educação financeira da sua equipe impacta na empresa?

Sabemos que é necessário um esforço em conjunto para qualquer empreendimento dar certo. Empresários, colaboradores e fornecedores devem estar alinhados para conseguir bons resultados e prosperar.

Não é à toa que gerenciar uma equipe exige firmeza e, ao mesmo tempo, cuidado. Cada colaborador tem a sua história de vida e, por vezes, pode ter abalos emocionais, problemas de saúde ou dificuldades com as finanças. Isso acaba refletindo no trabalho e, consequentemente, na empresa.

Se antes as companhias exigiam que os colaboradores fossem mais fortes e deixassem de lado os problemas pessoais para dar a sua melhor contribuição, hoje as relações são mais empáticas. Profissionais do departamento de Recursos Humanos (RH) e os diretores das empresas estão focadas em identificar os problemas comuns entre os profissionais e trazer alívio para eles.

A dificuldade financeira é um desses entraves no bem-estar de um colaborador. E muitas empresas estão aderindo à ideia de ter a ajuda de um consultor financeiro, que traga resultados para o profissional e também para a organização.

Para saber se membros da sua equipe precisam de um reforço na educação financeira, basta observar alguns aspectos: falta de concentração, redução de produtividade, atrasos, faltas, alteração no humor, procura por crédito consignado, pedido de adiantamento do 13o salário e venda integral ou de parte das férias.

Se esses “sintomas” forem comuns entre os seus colaboradores, com certeza o rendimento da sua empresa também já não é o mesmo. Eles até podem levar à demissão, seja pelo baixo rendimento do profissional ou porque ele resolve se desligar em busca de um salário maior. A questão é que nem sempre é o salário que deve ser maior, mas sim a forma como ele é gasto que precisa ser diferente.

Os benefícios da educação financeira para a sua empresa

A preocupação em saber qual o nível de compreensão da educação financeira dos seus colaboradores não pode ser uma via de mão única. Ou seja, a expectativa não deve se basear só no rendimento no trabalho. Ao mesmo tempo em que as empresas se modernizam, com ambientes mais aconchegantes para suas equipes, benefícios e ações que foquem no bem-estar nunca sairão de moda.

A via de mão dupla é ajudar empregados a atingir o equilíbrio financeiro e psicológico. Se a sua empresa oferece benefícios, comece verificando se todos usufruem deles, se entendem como eles funcionam e se existem outros que possam ser mais eficazes.

Com o foco na educação financeira, empresas investem em iniciativas que despertam o interesse dos colaboradores em compreender qual é a sua realidade em relação ao dinheiro. Mais do que isso, é mostrar que há saída para as dificuldades, desde que haja orientação e acompanhamento.

É aí que entra a participação dos chamados consultores financeiros, especialistas que podem verificar o orçamento doméstico do seu colaborador, quais os objetivos e as necessidades, entre outras ações. Eles contribuem com palestras para as equipes de RH ou todos os profissionais, além de promover cursos, fornecer material informativo ou prestar atendimento individual presencial ou online para orientação.

Voltar a ter as contas pagas em dia, os gastos dentro do orçamento e a perspectiva de conseguir poupar para alcançar objetivos futuros é um alívio para os colaboradores. A retomada do bem-estar reflete em motivação e em uma contribuição focada em obter melhores resultados.

Seus colaboradores apresentam os “sintomas” de problemas com dinheiro? Quer saber como implantar a educação financeira dentro da sua empresa? Converse com a gente!

Volta às aulas e a educação financeira dos filhos

Qual a relação entre a volta às aulas e a educação financeira passada dos pais para os filhos? Para quem tem filhos com idade escolar, essa é uma ótima oportunidade para ensinar a como administrar corretamente nosso dinheiro.

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Educação financeira infantil: A mesada e o lanche

 

Nessa fase, muitos pais estabelecem que vão dar mesada aos filhos para que estes comecem a ter seus primeiros contatos com dinheiro e administrem suas prioridades de compra nos lanches escolares.

Um ótimo começo nessa educação financeira é comparar o quanto custa o lanche vendido na escola, com o quanto custa comprar os ingredientes em um supermercado,  preparar em casa e levar para a escola.

Normalmente, a compra feita no supermercado acaba saindo bem mais barata, pois, entre outras razões, serão comprados alimentos para uma semana ou mais e isso costuma ser favorável ao preço ser mais baixo.

Aliada à economia, essa atitude resulta em uma maior organização da criança, que pode desenvolver a responsabilidade de cuidar da tarefa de montar seu próprio lanche e proporcionar maior qualidade na alimentação.

Outras possibilidades de educação financeira para crianças

 

Além dos gastos com alimentação na escola, outros pontos que os pais podem abordar com as crianças são:

  • A importância de economizar para a compra de materiais que precisarão ser renovados ou adquiridos no meio do ano;
  • A organização para pagar aquele passeio que a turma fará;
  • A compra de livros complementares;
  • A troca de uniforme ou tênis.

É importante conversar com a criança sobre a necessidade de economizar e se planejar financeiramente para comprar algo. Introduzir essas questões a partir da vivência escolar do filho é muito proveitos, pois o fará viver de forma real as preocupações de se administrar corretamente o que se ganha e o que se gasta.

Pense nisso!

Abraços,

Lucas Madaleno

Faça o melhor uso possível do seu Vale-Refeição ou Vale-Alimentação

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Você sabe a diferença entre Vale-Refeição e Vale-Alimentação? Qual será o mais adequado para a sua necessidade?

Este texto é para você que recebe vale-refeição (VR) e/ou vale-alimentação (VA) e quer utilizá-los da melhor forma possível. Ou para você que vende seu vale, e não sabe que isso é ilegal e que você pode acabar sendo demitido por justa causa se continuar a vendê-lo. Cuidado!

As empresas pagam VR e VA para seus colaboradores, com certa obrigatoriedade, em cumprimento ao PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) e sua finalidade é melhorar as condições de saúde do trabalhador ao dar condições para que ele se alimente de forma adequada. As empresas que aderem ao PAT obtêm incentivos fiscais, ou seja, pagam menos impostos e essa adesão não é obrigatória.

Porque a venda dos vales é ilegal? Quando o colaborador negocia um desses vales e “transforma-o” em dinheiro, ele está usando o benefício para outra coisa que não seja se alimentar e pela lei isso não é permitido. Se for identificado que o colaborador fez essa venda ele pode até ser demitido por justa causa.

Vale-Refeição ou Vale-Alimentação?

Vale-Refeição (VR)

O VR é um benefício mais restrito ao colaborador, pois, entende-se que somente pode ser usado por ele (e mais ninguém) durante a jornada de trabalho e em restaurantes ou padarias, evitando que ele tire o custo dessas refeições do próprio salário. Como o próprio nome diz, esse é um benefício a ser utilizado somente para as refeições.

Vale-Alimentação (VA)

O VA é um benefício mais abrangente, pois pode ser usado em supermercados, padarias e alguns restaurantes. Você pode utilizá-lo ou alguém que dependa de você também pode fazê-lo. Esse é um benefício utilizado para alimentação, independente se serão comprados alimentos prontos ou antes do seu preparo.

Qual escolher?

Algumas empresas oferecem somente o VR ou o VA, mas e se você puder escolher, qual será o mais adequado para o seu perfil e necessidade?

Se você tiver como levar sua refeição de casa e tiver um espaço adequado para que você possa comer normalmente, com o VA você consegue comprar mais alimentos do que com o VR.

Faça algumas contas simples: Quanto custa um pão francês na padaria e um pouco de manteiga no supermercado? E compare: Quanto custa um pão com manteiga na padaria?

Quanto custa um quilo de arroz + um quilo de feijão + um quilo de carne no supermercado? E compare: Quanto custa o mesmo prato em um restaurante?

As exceções em que o custo da refeição é menor que o custo dos ingredientes no supermercado são os restaurantes populares que cobram preços baixíssimos por serem subsidiados pelo Governo e receberem doações de alimentos também.

Resumindo, do ponto de vista financeiro o VA e a compra de alimentos em supermercados “rende” mais que o VR e sua utilização em restaurantes.

Como utilizar da melhor forma o Vale-Refeição (VR) e como controlá-lo?

Vamos supor que sua empresa ofereça apenas o VR, você precisará pensar em algumas coisas para não ultrapassar o valor pago a você:

  • Quanto sua empresa paga de VR por dia X Quanto você gasta por dia? Se sua empresa te paga R$15,00 por dia de VR e você gasta R$20,00, saiba que em algum momento do mês você precisará usar recursos do seu salário para custear suas refeições;
  • Assim que as pessoas recebem o VR, é comum gastar em um restaurante mais caro: “Vamos naquela churrascaria?”, “um restaurante japonês hoje ia bem”. Não há nenhum problema nisso, desde que nos dias seguintes você compense esse gasto a mais indo a restaurantes mais baratos para equilibrar o saldo do VR.
  • Você precisará controlar o saldo do VR, afinal, ele é parte indireta do seu salário e se você gastar mais do que recebeu, precisará tirar do seu salário conforme eu escrevi no primeiro item. Como fazer esse controle?

Enxergo que você possa fazer esse controle de 3 formas:

  • No site da empresa que fornece o VR ou o VA. Quando você acessa o site dessas empresas, há a opção de consultar o saldo disponível em seu cartão e analisar onde e quanto você já gastou;
  • Quando você realiza algum gasto, normalmente, no comprovante do gasto que sai da máquina do cartão também sai o saldo atualizado. Guarde pelo menos o último para saber o saldo antes de gastar novamente;
  • Em uma planilha, como a da imagem que está abaixo, onde você lança a data em que fez o gasto, o local, o valor gasto. Assim a planilha calcula automaticamente o saldo atualizado do seu cartão.

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Gostou da planilha? Baixe-a agora clicando aqui.

Você pode achar um exagero montar uma planilha ou um controle somente para o VR/VA, mas se você gastar sem controle seu benefício, uma hora seu salário será usado. Não seria melhor ter o vale até o final do mês e usar o salário somente para as outras contas?

Pense nisso!

Abraços,

Lucas Madaleno

Não cometa essa loucura com seu planejamento financeiro pessoal

Einstein e o Planejamento Financeiro Pessoal

 

14 Mar 1951, Princeton, New Jersey, USA --- Albert Einstein sticks out his tongue when asked by photographers to smile on the occasion of his 72nd birthday on March 14, 1951. --- Image by © Bettmann/CORBIS
14 Mar 1951, Princeton, New Jersey, USA — Albert Einstein sticks out his tongue when asked by photographers to smile on the occasion of his 72nd birthday on March 14, 1951. — Image by © Bettmann/CORBIS

Você sabe qual é a definição de loucura segundo Albert Einstein? A frase atribuída a ele é: “Loucura é continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

Note como essa frase é profunda, faz muito sentido e parece até óbvia. Se fizermos sempre a mesma coisa, o resultado será sempre igual, certo?

Sabendo disso, vamos analisar dois aspectos da sua vida financeira:

1. Você está satisfeito com seu planejamento financeiro pessoal?

Encontrar alguém que esteja satisfeito com sua vida financeira é difícil, então vou assumir que você não está 100% satisfeito e que alguma mudança poderia ser feita.

O primeiro passo é identificar o que não te deixa satisfeito com suas finanças. Temos alguns exemplos abaixo, veja se você se encaixa em algum deles:

4 exemplos de insatisfação com as finanças pessoais:

  • Você possui dívidas que não consegue quitar;
  • Você não consegue poupar o valor que gostaria ou precisaria para atingir um objetivo;
  • Não sobra dinheiro no final do mês;
  • Seus investimentos não rendem o que você gostaria.

Conseguiu se identificar em algumas das situações acima? Em caso positivo, o que você está fazendo para mudar?
O segundo aspecto de sua vida financeira é:

2. Qual o caminho você está seguindo com ela?

De nada adianta identificar que você não está satisfeito com sua vida financeira se você não fizer nada a respeito. Seguir sempre o mesmo caminho levará você sempre aos mesmos destinos.

Para ajudá-lo a buscar caminhos diferentes, vou listar abaixo algumas situações que você pode mudar para encontrar uma nova trilha para o seu planejamento financeiro pessoal:

3 exemplos de situações que podem ser mudadas no seu planejamento financeiro:

Se todos os meses você tenta poupar somente o dinheiro que sobra no final do mês, saiba que esse dinheiro nunca vai sobrar e se sobrar não será o valor que você gostaria.

Assim que você receber sua renda, guarde o valor que você precisa para atingir seus objetivos e busque gastar somente o que sobrar.

Somente pegue um empréstimo para quitar outro empréstimo se você realmente conseguir pagar a nova parcela. Se essa parcela não couber em seu orçamento sabe o que acontecerá? Você irá pagar o novo empréstimo com o cheque especial, ficará negativo, os juros cobrados serão bem altos e sua situação de endividamento continuará igual ou ficará pior.

Na hora de analisar o novo empréstimo a ser pego, atente-se às taxas de juros cobradas e ao número de parcelas. Pegar empréstimos com taxas de juros cada vez maiores tende a te deixar na mesma trilha financeira.

Na média, sobra salário no final do mês ou sobra mês quando termina o salário?

Se todos os meses ou na maioria deles, sobrar mês no final do salário você precisa tomar um caminho diferente. O primeiro passo é montar seu orçamento pessoal ou familiar e analisar onde você está gastando mais. Quais os 5 principais itens? Eles podem ser diminuídos?

Caso não dê para diminuir nenhum gasto, você precisará buscar fontes de rendas extras para complementar seu dinheiro do mês e as contas fecharem. O site do MEI – Microempreendedor Individual, pode ser uma boa fonte de inspiração para buscar uma nova fonte de renda: http://www.portaldoempreendedor.gov.br/mei-microempreendedor-individual/atividades-permitidas

Não cometa a loucura de não mudar

Lembre-se da frase do Einstein: “Loucura é continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes”, inspire-se nessa frase e avalie o caminho que você está trilhando com o seu planejamento financeiro pessoal. Se você está cansado de como anda sua vida financeira faça algo para mudá-la.

Pense nisso!

Abraços,
Lucas Madaleno

Resolvi Parar de Trabalhar para Cuidar do Meu Filho

Ouvi essa frase de algumas famílias que optaram por um dos cônjuges parar de trabalhar para se dedicar à educação e cuidado do(s) filho(s).

A justificativa encontrada com mais frequência por mim é que o valor pago para uma escola de tempo integral ou para uma pessoa tomar conta do(s) filho(s) seria praticamente equivalente ao salário da pessoa que parou de trabalhar e que não compensava financeiramente esta pessoa continuar trabalhando. Será que a parte financeira é o único ponto a ser considerado neste momento de decisão?

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Se o principal argumento é o financeiro vamos fazer algumas contas para ver se ele faz sentido.

Vamos supor que o valor pago para essa pessoa que irá cuidar da(s) criança(s) seja de R$1.000,00 e que o salário da pessoa que parou de trabalhar era de R$1.100,00. Hoje a diferença é de apenas R$100,00 (1.100 – 1.000 = 100). Realmente “talvez” não compensasse a pessoa continuar trabalhando frente a essa diferença de renda se compararmos os benefícios que o(s) filho(s) terá(ão) ao ter o pai ou mãe mais próximo em seus primeiros anos, mas vamos continuar com os cálculos.

Ao considerarmos um reajuste anual nos dois salários de 8% ao ano, ao final de 5 anos essa diferença passa a ser de R$146,93 ou 46,93% a mais. Isso sem contar possíveis aumentos por méritos ou promoções da pessoa e possíveis aumentos acima da inflação da mensalidade escolar ou salário de quem cuida da(s) criança(s).

O argumento financeiro pode até fazer sentido neste momento, mas existem as variáveis de aumentos por mérito/evolução na carreira que não temos como mensurar.

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Além da parte financeira, ouço também que “não tem preço” o fato do pai ou da mãe poder se dedicar mais aos cuidados e à educação do(s) filho(s). Essa é sem dúvida uma justificativa muito importante e não financeira, não tenho como medi-la ou pesa-la.

Para quem está neste momento de decisão sobre parar ou não para cuidar do(s) filho(s), que outros pontos podem ser considerados além das finanças?

Recolocação – Qual seria o tempo estimado para essa pessoa se recolocar no mercado de trabalho quando quiser/precisar voltar à ativa? Será que após a recolocação o salário/remuneração será equivalente ao que ela recebia antes dessa pausa? Essa pessoa conseguirá se atualizar suficientemente para obter um bom cargo ou o mesmo cargo em sua volta?

Carreira – Antes de parar de trabalhar essa pessoa fez escolhas de carreira, estudou, se dedicou e agora estará deixando essas escolhas de lado. Essa pausa não estava prevista e pode ser prejudicial para seus planos iniciais.

Recolocação 2 – Caso a pessoa opte por empreender em sua volta à ativa por entender que seja uma recolocação mais “fácil”, uma vez que não depende de um empregador, quais os riscos? Renda incerta, momento de mercado etc.

recolocação

Existe certo e errado? Posso ser julgado(a) por parar de trabalhar ou por não parar?

A resposta é um sonoro NÃO! Cada casal deve pesar os argumentos acima e decidir com base em seus valores pessoais o que fará mais sentido, mas a decisão, neste caso, não deveria ser somente financeira como eu tenho visto e ouvido.

Pense nisso!

Abraços!

Apresentação Lucas Madaleno

Entrevista para o Guia do Estudante Pós e MBA da Editora Abril – Parte 2

Recentemente fui entrevistado pela Mariana Ferreira para a publicação do Guia do Estudante de Pós e MBA da Editora Abril e postarei a entrevista completa aqui no Blog da LM Finanças Pessoais.

Como a entrevista ficou extensa, irei dividi-la em duas partes. Confira a Parte 1 aqui e  abaixo a Parte 2:

MF – Vale a pena pedir desconto para antecipar pagamento de matrículas e mensalidades? Considerando o valor do desconto, pode ser vantajoso adiar a pós e poupar para ter o desconto? Para poupar, qual o investimento de melhor risco do momento?

LM – Valerá a pena antecipar pagamento de matrículas e mensalidades se o desconto oferecido nesta antecipação for maior que o valor recebido em juros pelo aluno em uma aplicação.

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Exemplo: Se tivermos um curso com duração de 18 meses e valor de mensalidade de R$1.500,00 ele custará ao final R$27.000,00. Caso a instituição de ensino ofereça um desconto de 10% (R$2.700,00) para pagamento à vista esta conta só não será favorável à antecipação se o aluno conseguir uma rentabilidade mensal (com o Imposto de Renda já descontado) em seus investimentos acima de 1,042%. Hoje em dia um ótimo investimento rende algo próximo a 0,95% ao mês.

Considerando apenas o valor do desconto pode ser sim vantajoso adiar a pós, poupar e ter o desconto posteriormente, mas se considerarmos um possível aumento de renda do aluno com o início ou conclusão da pós, esta conta não será vantajosa.

Para poupar o ideal é considerar investimentos em renda fixa que não apresentem grandes oscilações como fundos DI, CDBs. No cenário atual de taxa Selic em 14,25% a poupança pode ser deixada de lado como opção. 

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MF – Caso o estudante vá fazer uma pós no exterior, onde ele deve investir para se proteger das oscilações do câmbio? Fundo cambiais?

LM – Para os recursos que o aluno irá levar para gastos pessoais como alimentação, livros, transporte, passeios etc ele poderá ir comprando aos poucos a moeda do país para não correr o risco de pagar caro ao comprar de última hora. O ideal é dividir o valor necessário pelo número de meses até a data da viagem e comprar aquela quantidade todos os meses independente se a moeda estiver mais cara ou mais barata.

Exemplo: Se o aluno for gastar 1.800 dólares e tem 18 meses até a data da viagem, ele deve comprar 100 dólares por mês (1.800/18 = 100).

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Para o curso em si, ele pode buscar empresas brasileiras que façam essa intermediação entre ele e a Universidade para “congelar” o câmbio em valores atuais e não ter surpresas ao pagar pelo curso.

Os fundos cambiais são boas formas de se proteger, porém, tem o custo da taxa de administração que precisam entrar nas contas do aluno no momento de investir, ou seja, se o fundo de Dólar ou Euro cobrar 2% de taxa de administração, saiba que seus recursos investidos serão corrigidos pelo câmbio menos 2% ao ano. Neste caso é recomendável que o aluno deposite sempre um valor a mais por mês para “compensar” a taxa de administração.

Entrevista para o Guia do Estudante Pós e MBA da Editora Abril – Parte 1

Recentemente fui entrevistado pela Mariana Ferreira para a publicação do Guia do Estudante de Pós e MBA da Editora Abril e postarei a entrevista completa aqui no Blog da LM Finanças Pessoais.

Como a entrevista ficou extensa, irei dividi-la em duas partes. Confira abaixo a Parte 1:

MF – O que considerar na hora de escolher o curso de pós para não estourar o orçamento?

LM – Para não estourar o orçamento a pessoa deve considerar, além da mensalidade do curso, alguns custos que ela passará a ter durante a realização de uma pós. Entre os gastos temos:

– Mensalidade do curso;

– Transporte (gasolina, estacionamento, táxi ou transporte público);

– Alimentação;

– Materiais extras como cópias de textos, canetas, cadernos e lan house para quem não possui acesso à internet em casa.

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MF – Quanto da renda deverá ser destinada a esse investimento? O aluno deve buscar um financiamento se o dinheiro não der?

LM – Não existe uma porcentagem fixa ou ideal para o investimento em educação, mas o aluno deve buscar manter o valor da parcela do curso e seus custos adicionais dentro do orçamento, sem extrapolar para não contrair dívidas.

Caso haja uma promessa de seu empregador ou garantia futura de um aumento de renda com a conclusão da pós, o aluno pode sim buscar o financiamento, pois, as parcelas poderão ser pagas com esse aumento e mesmo que o aumento da renda não venha, o conhecimento adquirido na pós é do aluno e ele estará mais qualificado perante o mercado de trabalho, podendo buscar uma nova colocação se considerar adequado.

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MF – O que considerar na hora de escolher um financiamento?

LM – Alguns itens:

 Qual o prazo para pagamento do financiamento? Este item é o que mais encarece qualquer parcelamento. Quanto maior o prazo maior o pagamento de juros;

– Qual a taxa de juros cobrada no financiamento? Usualmente linhas de crédito estudantis possuem taxas de juros menores se compararmos com outros tipos de empréstimos, mas vale a pena comparar esta taxa com outras possibilidades como um empréstimo pessoal ou um consignado;

– A parcela cabe hoje no orçamento? Se não couber, o aluno poderá ter um período de carência antes de começar o pagamento, visando um possível aumento na renda com o início ou conclusão da pós? Neste item deve-se tomar muito cuidado, pois caso a parcela não caiba em seu bolso a chance é grande de iniciarmos novos endividamentos. como por exemplo. utilizar o cheque especial.

Planejar as Finanças é como Jogar Tetris

Primeiramente, você sabe o que é o Tetris?

Tetris é um jogo no qual o jogador precisa encaixar blocos ou peças com formatos aleatórios que ficam descendo pela tela. O objetivo é encaixar esses blocos para formar linhas horizontais “cheias”, ou seja, sem espaços vazios entre os blocos. Cada vez que o jogador forma uma linha cheia o jogo limpa essa linha e baixa as linhas que estão acima dela. Para passar de fase precisa-se atingir determinada pontuação e em cada fase os blocos vão caindo cada vez mais rápidos e com formatos mais difíceis de encaixarem, o jogador perde quando os blocos ultrapassarem o topo da tela.

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Acima temos uma representação do Tetris

Muitas vezes quando jogamos Tetris, não encaixamos os blocos como deveríamos e acabam ficando muitos espaços vazios, neste caso, quando passamos de fase acaba sendo por “sorte”. Quando não planejamos nossas finanças acabamos por deixar também alguns compromissos sem serem pagos no meio do caminho e quando recebemos uma renda extra como um 13º salário, uma comissão inesperada ou um bônus quitamos esses compromissos. Passamos de “fase” (que aqui podemos chamar de ano, semestre, mês ou outro espaço temporal) de forma apertada e talvez por sorte também, lembre-se que nem sempre essas rendas extras são suficientes para quitarmos os compromissos que ficaram pendentes no passado.

No jogo as peças vão caindo em formatos aleatórios e sabemos apenas qual será a próxima peça que irá cair, as demais vão sendo reveladas uma de cada vez. Em nossas finanças é bastante comum termos imprevistos durante o mês, ou seja, só sabemos que teremos um gasto extra durante o mês.

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Podemos entender uma fase do Tetris como o espaço de um mês, um semestre, um ano ou quem sabe algumas fases de vida, como o início da vida produtiva, a aposentadoria, uma união afetiva, a chegada de um herdeiro etc.

Perder o jogo no Tetris significa ter de recomeçar o jogo do zero ou às vezes da fase em que paramos. E no caso das finanças? Temos alguns significados para essa perda: chegar à aposentadoria sem a renda esperada, não conseguir pagar todas as contas do mês, não poder viajar ou trocar de carro na data desejada entre outros exemplos possíveis. Será que igual ao que acontece no jogo teremos uma chance de recomeçar a fase?

Planejar as finanças é como jogar Tetris, precisamos saber onde encaixar corretamente os blocos para passarmos tranquilamente pelas fases e chegar à próxima sem preocupações e com uma boa pontuação acumulada. Temos fases mais fáceis e outras mais difíceis. Umas rápidas outras demoradas. Em algumas fases temos a certeza que vamos perder, mas revertemos de última hora e em outras realmente perdemos.

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O Tetris exige termos uma visão de curto prazo para o encaixe perfeito e à longo prazo pensando nas possíveis peças que ainda cairão. Algumas parecem que caem como luvas e dão o encaixe perfeito enquanto outras parecem que vem só para estragar o jogo ou vem na hora errada, mas é nossa função encontrar o melhor lugar para elas dentro de nosso contexto.

E aí, como você tem encaixado suas peças?

Abraços!

Lucas Madaleno

Nos Endividamos pelo Salário Bruto, mas Pagamos com o Salário Líquido

Você já deve ter ouvido em alguma instituição financeira que o máximo permitido para que uma pessoa se endivide com, por exemplo, um financiamento imobiliário é de 30% de seu salário. O que normalmente não é explicado é que essa porcentagem acaba sendo, na prática, maior que 30. Por que isso acontece?

O salário que é considerado em análises de crédito é o bruto e o pagamento das parcelas acaba ocorrendo pelo salário líquido.

Salário bruto é aquele registrado em carteira de trabalho, é o seu salário integral, ainda sem nenhum tipo de desconto. Exemplo: recebi uma proposta para receber R$4.000,00 registrados em carteira de trabalho, esses R$4.000,00 são seu salário bruto.

Salário líquido é aquele valor no qual já foram descontados os impostos e contribuições devidos, como por exemplo, o INSS, o Imposto de Renda, a contribuição sindical ou assistencial entre outros. Exemplo: para o mesmo salário de R$4.000,00, segundo o site Calculador, o valor a ser recebido já descontados os impostos seria de R$3.380,80.

cálculo salário

Clique na imagem para amplia-la. Fonte: Calculador

Quando uma pessoa vai a uma instituição buscando um financiamento o cálculo feito é que a parcela máxima que a pessoa pode pagar é de 30% de R$4.000,00, ou seja, R$1.200,00, mas como o valor que efetivamente a pessoa recebe é de R$3.380,80 esses R$1.200,00 representam aproximadamente 35,5% do salário líquido.  35,5% = (1200 / 3380,80) x 100.

O endividamento é de aparentemente 30%, mas acaba sendo efetivamente de 35,5%.

Se fossemos considerar apenas o salário líquido a parcela máxima a ser assumida, neste caso, poderia ser de R$1.014,24. R$1.014,24 = 30% x 3.380,80.

Assumir uma dívida extensa como um financiamento imobiliário, que pode chegar a 35 anos, sem ter esses números claros pode ser realmente perigoso. Eu acredito estar pagando um tanto do meu salário quando na verdade estou comprometendo mais do que parece.

financiamento imobiliário

Essa diferenciação entre porcentagens de salário bruto e líquido não envolve só a parte de financiamentos. Você já ouviu algum consultor financeiro dizendo para as pessoas guardarem 10% de suas rendas? E aí, você deve guardar 10% do salário bruto ou líquido?

E no caso de contribuições que fazemos em prol de instituições de caridade, igrejas, templos etc. Devemos considerar o salário bruto ou o líquido para calcular essa contribuição?

Minha recomendação é que você utilize o valor que efetivamente entra em sua conta para não acreditar que esteja contribuindo ou pagando menos do que realmente está. Suas finanças agradecem.

Abraços!

Lucas Madaleno